Estilhaça-me
Tahereh Mafi
Editora Novo Conceito
304 páginas
Acabei esperando alguns dias para
fazer resenha, para não fazer um texto influenciado pelos pensamentos dos
personagens. Ainda estou procurando uma palavra para melhor descrever a
narrativa e só posso dizer que ela é diferente. O livro é narrado em primeira
pessoa por Juliette e é ela que dá esse toque singular ao livro.
Juliette sofreu na solidão todo o
desprezo e abandono. Sozinha em um hospício, não sabe quando será a próxima vez
que sentirá a liberdade. Juliette é dotada de um poder letal que foge da
compreensão da sociedade e por causa disso, ela é afastada para não ferir
ninguém. Mas, depois de 264 dias confinada na solidão, recebe a notícia que
dividirá a cela com uma nova pessoa: Adam. Para não ferir o rapaz Juliette
procura manter distância, mas Adam aos poucos vence essas barreiras e mostra
uma possibilidade que Juliette jamais poderia imaginar.
No começo da narrativa, pensei que
existia algum erro na revisão, mas acabei acostumando com o modo peculiar de
Juliette pensar. Primeiro muitos dos seus pensamentos são riscados, como
se a verdadeira ideia fosse deletada antes mesmo de vir a tona. Segundo,
Juliette tem a mania de repetir, no mínimo, três vezes a mesma palavra, apenas
para demonstrar o quanto está atormentada e esse transtorno obsessivo
compulsivo é um pouco estranho no início da leitura. Terceiro, em alguns
momentos, o pensamento dela não tem uma pausa, sendo expresso longamente sem
nenhuma vírgula. Tudo isso pode ser estranho no começo, mas aos poucos você se
acostuma com essa maneira de pensar.
Adam é o personagem mais fofo do
livro. Mesmo com toda a aparência de homem forte e letal, é de extrema
delicadeza e preocupação com Juliette. As cenas dos dois são delicadas e
existem até alguns momentos que eles pegam fogo, mas sempre são atrapalhados no
meio do caminho. Existe o antagonista da história (será mesmo?), Warner,
personagem psicótico que tem uma paixão doentia por Juliette, tentando usar o
poder da garota para proveito próprio.
Como é o primeiro livro de uma
trilogia, muitas perguntas não são respondidas e o livro termina na melhor
parte da história. O enredo tem certas semelhanças com a história do X-Men, o
que para mim foi totalmente diferente. Estou ansiosa com a continuação, já que
a história me cativou. Aviso para os leitores mais conservadores, que a
narrativa é peculiar e será um pouco estranho no começo, mas aos poucos os pensamentos
de Juliette ficam lineares, e até as palavras riscadas diminuem. O enredo tem
tudo para dar certo, mesclando ação, romance e fantasia, com uma narrativa
diferente.
Nota:















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